O melhor e pior do Rock in Rio 2013

Hoje teremos uma breve análise sobre o que ocorreu de melhor em um dos maiores festivais de rock’n’roll (rock?) do mundo! Apesar dos pesares e até da possível intervenção do Ministério Púbico para fechar as portas do festival, na última edição do Rock In Rio tivemos artistas e músicos apresentando seu trabalho das mais variadas formas possíveis, culminando em um sucesso comercial e musical! Embora o festival tenha em seu nome a palavra “rock”, fica claro que se trata de um festival musical voltado para o rock, mas também aberto a alguns outros estilos musicais, como o clássico (algo esporádico) e até algumas atrações de pop, samba e mesmo o tão incompreendido axé (alguém aí gritou o nome Ivete Sangalo?). Quer queiram ou não os headbangers – cujo egos inflamados maldizem o festival – o simples fato do mesmo ser realizado no Brasil é um ponto positivo para nossa amada pátria e até de orgulho, tamanha a carência que os músicos brasileiros hoje passam de eventos de tal porte (principalmente os do meio underground). Embora algumas bandas tenham sido de origem duvidosa, a edição deste ano obteve muitos pontos altos! Vamos conferir o que rolou de melhor e pior nos palcos Mundo e Sunset do Rock in Rio  nesta breve análise.

Rock in Rio Page

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 O melhor do Rock in Rio  

Foram inúmeras as boas apresentações que passaram pelos palcos Mundo e Sunset nas últimas duas semanas, mas os destaques ficam por conta de nomes nacionais como Lenine (meu amigo, que show foi aquele?!), Zépultura (honestamente, ver Sepultura no mesmo palco que Zé Ramalho foi um sonho realizado!) e Pepeu Gomes e Moraes Moreira. Me perdoem os mais puristas, mas ouvir os riffs e notas arretadas do ilustre guitarrista brasileiro em “Mistério do Planeta” me fez lembrar como é delicioso poder usufruir de música brasileira bem feita! Também tivemos, ainda no palco Sunset e em outros dias, apresentações ótimas de músicos como Andre Matos com o Viper como convidado especial, também tivemos um dos melhores shows do festival com a banda The Offspring e seu punk rock muito bem feito, além é claro, de ícones do metal como Helloween e seu convidado Kai Hansen. Sem mais delongas, vamos para o melhor show de todos os dias desta edição do Rock in Rio (e não foi tarefa fácil escolher apenas um dentre tantos nomes de peso!).

Melhor apresentação: Bruce Springsteen & the E Street Band:
Bruce Springsteen. Eis aquele que deixou pra trás nomes como John Mayer, Bon Jovi, Iron Maiden e Metallica! Sim, é ele mesmo! Bruce Springsteen! Nunca vi um “jovem” ter tanta disposição e entusiasmo em um show! Imaginem alguém que demonstra fazer o que faz por prazer, que dá o seu melhor em cima do palco e não tem frescura alguma! Pois bem, meu caro, este é Bruce! Um exímio guitarrista, com belas composições de rock e acompanhado de uma banda extremamente competente! Temos aqui alguém que tem um diferencial muito grande em relação aos outros grandes nomes do Rock in Rio, ele demonstra ter enorme carinho por seus fãs (okay, Jon Bon Jovi, podemos dizer o mesmo de você) e vive de arte por realmente amá-la. Segue abaixo um vídeo do mestre Springsteen em ação e, acreditem, não irão se arrepender de dar o play pois foi uma demonstração clara de que não foi somente um show qualquer, mas um show pensado com certo carinho aos brasileiros! Principalmente para aqueles que até hoje curtem o trabalho de um certo ídolo da música brasileira (e que Deus o tenha!):

Revelação: Ghost ou Ghost B.C.:
Há quem diga que esta tenha sido a pior apresentação desta edição do Rock in Rio, afinal, seu show é um tanto parado e alguns até o julguem ser monótono. A receita aqui é a mesma utilizada por velhos dinossauros do rock como Kiss e alguns adolescentes do rock como Slipknot. Embora nenhum dos membros desta banda sueca seja conhecido, afinal, o vocalista Papa Emeritus II fica irreconhecível em seu manto e os Nameless Ghoul ainda mais, Ghost B. C. se trata de uma banda que tem algo a mais em relação às novatas do Rock in Rio e nos brinda com uma incessante apresentação musical afiadíssima e em conjunto com isso oferece um espetáculo teatral incomum! Pra quem esperava um petardo de metal avassalador, restou a grata surpresa de um som afiado e extremamente afinado! Os vocais de Papa Emeritus II estão longe de sua aparência sombria, ao contrário, são vocais limpos e muito bem apresentados! Sem sombra de dúvidas a temática das letras da banda serve muito bem para chamar a atenção da mídia especializada e até incomodar alguns puritanos, afinal, quando foi que satãnismo ou anti-cristianismo não vendeu ou rendeu marketing gratuito?! Particularmente a apresentação dos caras soa como uma direta e severa crítica a uma das maiores potências políticas e religiosas do mundo: o catolicismo. Ainda assim, este foi o show revelação do RiR. Dividiu opiniões. Muitas, inclusive. Há quem amou e há quem odiou, mas o que está em pauta é a atitude e, claro, a música. Particularmente o “conclave” apresentado me agradou e muito, é o tipo de coisa que costuma funcionar bem fora e dentro dos palcos.

http://www.youtube.com/watch?v=jX1sCd1lUY0

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 O pior do Rock in Rio  

Ao contrário do que muitos poderiam imaginar, não teremos aqui nomes como Justin Timberlake (e, curiosamente, o show do mesmo foi muito bom), Beyonce ou mesmo Ivete Sangalo (convenhamos, o estilo dela em nada me agrada, mas que a mulher canta, canta!), até porque todos sabem que Rock in Rio não é feito só de rock e essa mesma temática já deu o que tinha que dar. Se alguns nomes, questionáveis ou não, foram chamados para compôr o aclamado cast do festival, ao menos competentes são (ou deveriam ser). E a pior apresentação do Rock in Rio 2013 se trata nada mais, nada menos, do que uma banda nacional que tem buscado seu espaço no cenário da maneira mais questionável possível. Sim, amiguinhos! Estamos falando do show que abriu a noite do metal no Palco Mundo: Kiara Rocks. Não consigo deixar de me perguntar como diabos aquela banda foi parar no Palco Mundo enquanto nomes como Helloween, Kai Hansen, Andre Matos e até mesmo Sepultura estiveram se apresentando no Palco Sunset! A coisa foi tão “braba” que até o Zé Ramalho sozinho com um violão soaria mais metal do que eles! O mundo da música é assim, há muita música, mas também muita pose. E não adianta dizer aos críticos frases prontas como “se crítica tanto, devia ir lá e fazer melhor”, pois as coisas não funcionam exatamente assim. Infelizmente vivemos em um país onde nem só de música o músico vive, mas também de sombra no olho e tatuagens de bad boy  e, lamentavelmente,  o Rock in Rio também demonstrou isso. Atitude, meus caros leitores, não consiste em copiar descaradamente o que já foi feito por alguém. Deixar de arriscar está fora de questão, é carta fora do baralho. Springsteen é a prova viva disso, hoje vive seu auge e colhe os frutos de uma carreira brilhante e honesta, meus caros! Já nossa compatriota Kiara Rocks nos mostrou que o cenário de rock brasileiro está cada vez mais carente de originalidade! Uma banda que procura ter seu espaço JAMAIS deveria abrir um show de tamanha visibilidade com um cover (e sim, eles abriram o show deles com um cover de Motörhead). Não bastando começar o show com o cover de uma música que quadrilhões de bandas tocam em barzinhos por aí, o que tivemos adiante? Muitos outros covers! Covers a perder de vista! Nem mesmo a presença dos posteriormente convidados Paul Di’Anno (ex-Iron Maiden) e Marcão (ex-CBJR) foi suficiente pra salvar a apresentação da banda! É natural que tenha existido muita animação com a presença de Paul e de Marcão, mas fora isso não houve nada de inovador na apresentação da banda, sem contar os clichês básicos como o momento onde o vocalista sugeriu à platéia pra que dirigissem seus esforços e ofensas aos políticos que tanto roubam-os (isso é carta marcada, meu amigo). Entre covers e uma ou outra música própria (não tão boas, por sinal, embora uma ou outra talvez soe promissora), acabaram por finalizar a apresentação com uma de suas músicas dadas como “hit” (Últimos Dias). Conclusão? Seria melhor ter chamado a Ivete pra abrir o dia metal, porque ousar ou arriscar é algo que eles não fizeram e, notadamente, isso é algo que muitos apreciam no vasto universo musical. Eu próprio, inclusive.
O nome do festival é Rock in Rio, mas rock é uma atitude e nem sempre condiz com estilo A ou estilo B. Ser “rock” é mais do que ter um rostinho bonito, se vestir de preto e ter uma ou outra tattoo de caveira e, acima disso, maior do que o rock é a música. Finalizo a matéria com uma frase no melhor estilo Jesse da série Breaking Bad de ser: just keep rockin’, bitch! Deixo dois vídeos que muito me agradaram (um deles contando com a participação de Roberta Sá) e, perdoem-me novamente os puristas, mas Os Novos Baianos é puro rock’n’roll!

http://www.youtube.com/watch?v=82jjuEnArxk

http://www.youtube.com/watch?v=N6FmPShMQe0

Post Author: Jow

9 thoughts on “O melhor e pior do Rock in Rio 2013

    Marcelo de Oliveira

    (setembro 27, 2013 - 9:56 am)

    Concordo plenamente com a matéria… Um abraço.

    Stevan Corrêa

    (setembro 27, 2013 - 11:54 am)

    Bela análise! O Pepeu é foda mesmo, o cara manda muito! E eu achei massa a presença do Di’Anno, mas foi só o que eu vi dos fanfarrões do Kiara Rocks, que por sinal eu nunca nem havia ouvido falar antes disso. Vou procurar o show do Ghost pra ver de qual é. O vídeo linkado aqui na página foi tirado do ar, precisa trocar heheh…

      Lucas Mota

      (setembro 27, 2013 - 12:10 pm)

      vídeo do Ghost Consertado. Valeu!

    Lucas Mota

    (setembro 27, 2013 - 12:22 pm)

    BRuce Springsteen é o cara com certeza! O show dele em São Paulo já tinha sido totalmente excelente!

    Na minha opinião a grande revelação do festival não foi o Ghost B. C. (que também fez uma ótima apresentação) mas sim o Vintage Trouble, que mistura um classic rock com funk/soul veja aqui: http://www.youtube.com/watch?v=ZMCutWGTHSU

    Nos piores shows eu ainda colocaria os tributos do cazuza (vários artistas) e o tributo ao Raul feito pelo Detonautas. Teves poucos shows mais vergonhosos do que esses que vi em toda a minha vida!

    Jow

    (setembro 27, 2013 - 12:42 pm)

    Vintage Trouble também foi bom demais! Puta funk/soul da melhor qualidade!
    Os tributos não passaram de vergonha, eu preferi “esquecer” dos mesmos porque toda edição é o mesmo mimimi com essas “homenagens”. =p
    E Bruce Springsteen eu não tenho nem o que falar! *-* Puta sonzão, mano!

      Jow

      (setembro 27, 2013 - 12:43 pm)

      Ah, e antes que eu esqueça, Pepeu Gomes é MITO! AHUAHUA

    AP

    (setembro 27, 2013 - 3:35 pm)

    show do ghost foi fodoso! vlw por ter postado *-*

    Lucas Mota

    (setembro 27, 2013 - 9:34 pm)

    Acabei de assistir o show do Sepultura com o Zé Ramalho e tive que voltar aqui pra comentar.
    Bruce Springsteen tem o meu total respeito, mas ele acaba de cair para segundo colocado na minha lista!

    Sério, esse foi um dos shows mais ousados e mais sensacionais que já vi até hoje. Me fez realmente ficar triste de não ter ido no rock in Rio!

    Jow

    (setembro 27, 2013 - 10:02 pm)

    Rapá, eu também gostei muito do show do Zé com o Sepultura! Sem comentários, foi um puta de um show! Mas como era uma parceria que eu já conhecia, deixei o primeiro lugar com o Bruce! Ah, quem não ouviu, ouça! Foi onde conheci a parceria deles. Vale MUITO à pena: http://www.youtube.com/watch?v=_lMUwGJokuo

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