Frances Ha (2012)

frances haDomingo fim de tarde e aquele calor do Saara, nada melhor que um ar-condicionado no talo. Aliás, melhor que isso: ar-condicionado de cinema (não há uma razão lógica ou fisio-quimio-biológica, mas sempre acho ar-condicionado de cinema infinitamente superior a qualquer outro — não por ser mais frio, mas por ser mais agradável. Mas divago). Fomos eu e dois amigos tentar assistir Elysium ou Cine Holliúdy, mas quando chegamos lá todas as sessões já haviam começado e as próximas ainda estavam a horas de distância. Então, me coloquei na missão de fazer leitura dinâmica de sinopses pra ver se dava tempo pegar alguma outra, e a que mais agradou a opinião geral foi a do filme Frances Ha.

A protagonista do filme, Frances Halladay, leva uma vida de pós-adolescente, estudando numa escola de dança onde também dá aula pra crianças pra conseguir pagar as contas, namorando um cara de quem nem gosta tanto e dividindo apartamento com a melhor amiga. O problema está no fato de ela ter quase 30 anos de idade e parecer ainda não ter se dado conta disso.

Do diretor Noah Baumbach (A Lula e a Baleia, de 2005) e com coprodução brasileira da RT FeaturesFrances Ha — que está meio hype no círculo do cinema independente — é um drama curtinho com uns toques de comédia. Frances não consegue um emprego melhor porque sonha em ser bailarina e não quer abrir mão disso. Quando o namorado a convida pra morarem juntos, ela aproveita o ensejo pra terminar no namoro. E então a amiga, de quem ela não quis se separar quando o namorado chamou pra morar com ele, decide se mudar para uma área mais cara de Nova York — que Frances não pode pagar — com uma outra amiga. Nesse meio tempo, ela perde o emprego na academia de dança e a amiga decide morar junto com o namorado (que Frances detesta). E depois ainda vai morar no Japão sem avisá-la (bela amizade, essa).

Então ela fica assim: meio sem casa, meio sem emprego e meio sem a amiga. Ela, desengonçada, grandalhona e falante, acaba tendo um pouco de todo mundo que já passou pela crise da vida adulta (a menos que você seja um playboy que se formou pra trabalhar na empresa do papai, porque aí não conta) e se sentiu meio perdido no que-que-eu-faço-agora-meu-Deus-como-vou-pagar-as-contas-ninguém-me-ama-nesse-mundo-cruel, e isso conta muito pra que terminemos de ver o filme morrendo de simpatia pela personagem (a atriz que faz Frances, Greta Gerwig, é quem assina o roteiro junto com o diretor). A trilha, com David Bowie, Rolling Stones e Paul McCartney, e a fotografia em P & B dão um tom de proximidade e aquela cara de quase filme europeu característica do cinema independente americano. Não é um roteiro com começo-meio-fim, mas antes um recorte na vida da personagem, sem muito compromisso com grandes lições de vida e final feliz. E por ser um relato tão intimista e sem pretensões, tão próximo de uma forma ou de outra da vida real, de quem paga contas e se dá mal, e não é a mais bonita da festa ou o fodão da escola, Frances Ha não é um filme pra quem se acha herói.

NOTA:

Vale o Ingresso, a Pipoca e Quero Ver de Novo
Vale o Ingresso e a Pipoca
Vale o Ingresso
Vale o Ingresso no Dia da Promoção
Teria Sido Melhor Ir Ver o Filme do Pelé

Post Author: Anna Raíssa

2 thoughts on “Frances Ha (2012)

    Gastão Cared

    (outubro 1, 2013 - 3:10 pm)

    Parece com você Rabisca! haueheaehuaheae! Parece aquelas comedias anos 80! Tipo Clube dos Cinco! E essa música do trailer é igualzinho! aehhauehuaha!

      Anna Raíssa

      (outubro 1, 2013 - 3:15 pm)

      hauehuaheuahuehauehuaheuaheuaheuahuehauhua

      pior que parece mesmo x)

      Então, tem essa pegada meio oitentista mesmo, mas é menos mágico e feliz =)

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