Crítica: Agentes da S.H.I.E.L.D. [episódio piloto]

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Na última terça-feira, 24 de Setembro, estreou na rede ABC o aguardado Agentes da S.H.I.E.L.D, o novo seriado de Joss Whedon, escritor e diretor do primeiro filme dos Vingadores, além de responsável pelos filmes e seriados das franquias Firefly e Buffy. No Brasil a estreia foi apenas dois dias depois que nos EUA, na quinta-feira, dia 26, pelo canal Sony.

Desenvolvida no Universo Marvel, a série se situa após os acontecimentos d’Os Vingadores (2012), tendo como personagem principal o “ressurrecto” Phil Coulson (Clark Gregg). No episódio piloto, vemos o agente Coulson reunindo uma pequena célula para investigar o surgimento de uma nova ameaça. O grupo formado por ele conta com os agentes Grant Ward (Brett Dalton), Melinda May (Ming-Na Wen), Leo Fitz (Iain De Caestecker) e Jemma Simmons (Elizabeth Henstridge).

O ponto alto da série, de acordo com entrevistas dadas por Whedon e outras pessoas envolvidas na produção, será a relação nunca antes vista entre cinema e TV. Agentes da S.H.I.E.L.D trará acontecimentos paralelos à franquia de filmes dos Vingadores e seus principais personagens, ajudando a amarrar as pontas soltas que possam existir entre os filmes solos e do grupo de super-heróis. Dessa forma, espera-se que hajam referências não só dos filmes no seriado, mas também do seriado nos filmes, o que já podemos esperar em Capitão América: O Soldado do Inverno (2014), segundo fontes ligadas ao filme. Além disso, já estão sendo especuladas eventuais participações especiais de Nick Fury (Samuel L. Jackson), entre outros… e com certeza ficaremos torcendo por isso!

 

TEXTO COM SPOILERS A PARTIR DESSE PONTO
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 “with great power comes… a ton of weird crap that you are not ready to deal with”

 

Antes que eu tivesse tempo de assistir o piloto, alguns amigos que já tinham visto fizeram uma hype tão grande a respeito que eu acabei criando uma expectativa maior do que deveria. Resumo da ópera: esse primeiro episódio foi abaixo do que eu esperava. Para começar, as coincidências do roteiro para que as coisas se encaixassem beiraram aquele jogo de RPG mal narrado. E a escalada de parede do herói/vilão do episódio no estilo homem-aranha foi dose. Há também a interessante presença da tecnologia extremis na trama, demonstrando que a série inicia não só após o primeiro filme do Vingadores, mas também após o Homem de Ferro 3 (2013), mas ao mesmo tempo é ignorado completamente o fato de que nosso querido Tony Stark com certeza já teria a solução para o problema da tecnologia, tornando desnecessária a crise vivida pelo agente Fitz em tentar desvendá-la. Também não gostei do personagem nem da atuação de Brett Dalton, que está na série apenas para fazer o papel do estereótipo galã (e no melhor estilo Dedé Santana). Os dois agentes-cientistas Fitz e Simmons também não me agradaram nesse primeiro momento, sendo nada mais que uma caricatura de nerd similar à apresentada, por exemplo, na comédia pastelão que foi Pacific Rim (2013). Por fim, no final do episódio, durante o oficial recrutamento da hacker Skye (Chloe Bennet) para a equipe – personagem absolutamente redundante, por sinal – mesmo que o “carro do MiB” já tivesse aparecido no primeiro filme do Capitão América (2011) – em um protótipo fail criado pelo papai Stark -, foi de lascar viu… na minha opinião: no mínimo desnecessário.

No fim das contas, esse primeiro episódio de Agentes da S.H.I.E.L.D. só valeu a pena pelo agente Coulson, apesar de ele não fazer nada mais que a obrigação em roubar a cena, já que, como já era esperado, trata-se do protagonista e fio condutor da série. E uma das coisas mais interessantes sobre o personagem é que simplesmente não dá pra engolir aquela historinha de “eu tive que segurar a respiração e depois passar férias no Taiti”. O breve diálogo entre a agente Maria Hill (Cobie Smulders) e um dos cientistas da organização já dá a dica de que a coisa realmente não é simples assim.

Eu sinceramente espero que após esse piloto os próximos episódios assumam um tom mais sério – talvez no estilo da primeira temporada de Heroes (2006), a última boa série de super-heróis produzida para a TV. Nos Vingadores, por exemplo, o alívio cômico é muito bem distribuído entre o fanfarrão Tony Stark e o incrivelmente cômico Hulk, mas me parece que todos os personagens da série são metidos a comediantes. Enfim, se seguir o nível desse primeiro episódio, eu já estou até esperando qual vai ser a galhofa por trás da “ressurreição” de Coulson. Minha primeira aposta é clonagem, mas acredito que também possa ser um MVA da S.H.I.E.L.D., ou quem sabe vá pender para o lado mais místico da mitologia dos quadrinhos. Qual o seu palpite?

 

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Post Author: Stevan Corrêa

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